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Adriano Ferreira Pinto







quinta-feira, abril 11, 2013


Panteão Nacional

Um destes dias, um amigo chegado questionava-me: - porque é que ele não está no Panteão Nacional?

Explico melhor a situação.

Ambos, sentados na soleira da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, reparávamos no Pavilhão azul e branco, hasteado mesmo defronte do nosso olhar.

É que o mesmo, na sua singeleza, mau-grado a insídia republicana, teima em lembrar aos incautos, que aí repousa, quer o fundador da Pátria, quer o seu primogénito.  

Não! De facto, ainda não morreu - fisicamente pelo menos – o Dr. Soares, nem seu filho João.

Nem consta - ao invés do que certos “fazedores de opinião” querem fazer crer -, que o primeiro tenha sido pai de mais que dos respectivos filhos; nem se admite que ambos pudessem ladear a Capela-mor da Igreja primeira, da primeira Capital do Reino de Portugal.  

A tal gente, nos não referíamos, e deles não rezará a história, salvo nas páginas mais negras da Épica Lusitana!

O que tal estandarte manifesto, é o aviso público, de que ali repousam os dois primeiros reis da mais estável e duradoura NAÇÃO da Europa “et, pour cause”, do mundo ocidental!

Na verdade,

Discursávamos sobre o país, a situação trágica do mesmo, e acerca daqueles que o, e nos, desgraçaram.

Claro que, de Soares a Sócrates, passando por Guterres, Cavaco e “tutti quanti”, toda a “classe politiqueira”, ia sendo “zurzida” pelos comentários destes dois descontentes.

Não por ambos não sermos privilegiados da chamada função pública - dessa onde não se sabe quantos “chafurdam” em reformas e prebendas milionárias, que davam para alimentar MUITOS POBRES, daqueles que sempre sustentaram a sofreguidão fiscal –, mas por nos pensarmos pessoas de bem.

Honestamente, sempre entendemos que, mesmo espoliados, os contribuintes privados, já terão ganho o Reino dos Céus,

                            Que este é de certos “pardais”!

Pois bem,                      

A conversa que tínhamos, era sobre a possibilidade do DOUTOR SALAZAR - os seus despojos ou, sobretudo, a sua memória -, vir a repousar em lugar que, segundo a nomenclatura do estado e a opinião pública, seja condigno ao inestimável valor que, em vida, trouxe a Portugal.

- Nos Jerónimos! Tem mesmo de ser nos Jerónimos - dizia o Chico, enquanto esbracejava -, senão ainda pensam que foi um vendedor de sangue aos hospitais.

- Tas parvo? – Retorquia eu, enquanto procurava acender o cachimbo, apesar da chuva miudinha que teimava em cobrir o Largo de Sansão.

Que é que querias? Pô-lo ao lado de umas quantas cantadeiras, políticos e escritores/poetas de “meia-desfeita”? Qualquer dia ainda lá os tens em Alegre cantoria! O Camões deve estar a pensar em devolver a “tença”, para o libertarem de tal suplício.

- Não sou burro, oh pá. Mas tens razão. Lá em Lisboa não pode ser. Aquilo é terra de brutos. Olha lá – vê-se mesmo que nasceu na minha terra -, então o António [Guterres], o Serrasqueiro, o Grilo, o …, olha …, o puto, o Seguro, e até o Zé [Sócrates], não eram boas pessoas até saírem de Castelo Branco? Alguns até iam à missa; à ROSEL, e mesmo ao “It´s”! Aquilo da capital dá cabo de cada um!

Aqui mesmo é que ele ficava bem. – Referia-se, o Chico, como bem se entende, à Igreja de Santa Cruz.

- Se alguém aqui merece estar, é ele. Mas, sabes, a memória dos homens é tão curta, quão longa devia ser a obrigação de reconhecer o valor dos nossos MAIORES. Um dia destes ainda vais ver um panteão na Coelha.

- O Coelho espanhol, o das estradas? Aquele que bate na gente?

Não percebeu, coitado, que me não referia ao “coelhone”, de má sina – a nossa -, recentemente [re]aportado a terras lusas para apimentar o “funeral” do Tó Zé. Apenas mencionava um “mausoléu”, sulista e elitista, que dizem estar construído lá longe, onde a civilização se partilha com a barbárie dos tráficos provenientes de África. Quero eu dizer, nas férteis terras para a pior canalhice que alguma vez Portugal sofreu – o Algarve da Socialite!

É que, sob o diáfano manto da democracia, fazem-se quintas, para quem nunca foi hortelão; estâncias para os que jamais foram hoteleiros; vivendas para aqueles que deveriam residir no Linhó.

Triste Pátria, a minha, capturada por tal gente!!!

Se por momentos ignorasse meu apelido, e esquecesse que houve Grandes Portugueses, cuja memória se perpétua pelo significante do nome ou cognomino, proibiria que algum cristão tivesse nome de bicho!

Mas, enfim, é loucura minha. Voltemos ao que importa, e à conversa dos dois passantes que diletantemente discursavam sobre o destino que a Pátria devia dar aos seus mais queridos.

- Não achas que devia vir para aqui? - Insistia o Chico.

- Afinal o teu panteão não é em Lisboa?

- Pensas que sou estúpido? Sou Prof. – ele parece que ensina qualquer coisa, física nuclear, ou algo semelhante, nas Ciências, depois de ter “tirado” direito?!? -, mas não sou totalmente burro. Aqui é que é o PANTEÃO NACIONAL!

- Tens razão. Se aqui é o Panteão, o nosso mestre deve para cá vir. Os de Lisboa não têm de opinar. A Igreja é nossa, ele estudou aqui, nestes claustros, foi o maior vulto do país nos últimos séculos, vamos fazer-lhe um túmulo condigno e trazê-lo para cá.

- Hei, hei, os senhores aí, não vêem que já é dia? 

- Quê? Nenhum de nós tinha dado que se fizera noite, quanto mais que o dia nascia!

Afinal era um sonho!

Bom, como os que nossas mães nos inspiram, no primeiro embalo; Trágico como aquele que lhes damos, ao sair de casa.

 

As escadas de Santa Cruz, já não existem; os estudantes já não lá cantam; e nós, pobres veteranos de direito, apenas idealizávamos o que os Portugueses sonham: honrar um Professor (da nossa casa), um mestre da política, um verdadeiro Homem-de-Estado.

Seja.

Quando acordar, evoco o Doutor Salazar para … ensinar o Gaspar !

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