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Adriano Ferreira Pinto







quinta-feira, abril 11, 2013


24 de Abril de 2010.

Madrugada.

Pela primeira vez, de há muitos anos a esta parte, assisto a esta noite por detrás de uma persiana fechada.

Da sala onde trabalho apenas se podem vislumbrar as traseiras de prédios que ocultam gente que não conheço.

Porque havia eu de me dar a ver, e por consequência a conhecer meus hábitos, a quem ignoro a existência, e pretendo minha presença seja desconhecida.

Ai como seria bom que noutro 24, alguns tivessem acatado o pressentimento de ficar quieto.

E outros tivessem entendido o dever de sair à rua !

Ser rapazola não me absolve da falta cometida.

... ... ...

Resta o consolo.

Triste linimento d’alma.

Por Graça de Deus, ou infortúnio Divino, de aqui a outros trinta e seis anos, não haverá filho, ou neto, para lamentar 74.

Setenta e quatro anos!

Quase a idade a que um homem devia ganhar o direito de ser respeitado pelos seus pares. 

Mas que foi, exactamente, o tempo que o século XX português demorou a desgraçar as gerações posteriores.

MINTO, sem querer.

Os que sobrevivemos é que não merecemos ter alterado a HISTÓRIA !

 

VIVA o 25 de ABRIL !

VIVA a REPÚBLICA !

 

Os Homens morreram.

 

E com eles, P O R T U G A L !

 

Você disse o quê?

Portugal, foi no século passado. . .

 

 

 

 

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