Madrugada.
Pela
primeira vez, de há muitos anos a esta parte, assisto a esta noite por detrás
de uma persiana fechada.
Da
sala onde trabalho apenas se podem vislumbrar as traseiras de prédios que
ocultam gente que não conheço.
Porque
havia eu de me dar a ver, e por consequência a conhecer meus hábitos, a quem
ignoro a existência, e pretendo minha presença seja desconhecida.
Ai
como seria bom que noutro 24, alguns tivessem acatado o pressentimento de ficar
quieto.
E
outros tivessem entendido o dever de
sair à rua !
Ser
rapazola não me absolve da falta cometida.
...
... ...
Resta o consolo.
Triste
linimento d’alma.
Por
Graça de Deus, ou infortúnio Divino, de aqui a outros trinta e seis anos, não
haverá filho, ou neto, para lamentar 74.
Setenta
e quatro anos!
Quase
a idade a que um homem devia ganhar o direito de ser respeitado pelos seus
pares.
Mas
que foi, exactamente, o tempo que o século XX português demorou a desgraçar as
gerações posteriores.
MINTO,
sem querer.
Os
que sobrevivemos é que não merecemos ter alterado a HISTÓRIA !
VIVA o 25 de ABRIL !
VIVA a REPÚBLICA !
Os Homens morreram.
E
com eles, P O R T U G A L !
Você
disse o quê?
Portugal,
foi no século passado. . .

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