Minha Estimada Chanceler:
Saiba Vossa Excelência, Senhoria, ou lá o que na sua terra seja hábito intitular pessoas que usem de mandar nos assuntos públicos, que aqui neste pequeno torrão, mandam e mandarão os que Portugueses que o são!
Claro que ninguém quer ficar com o dinheiro que, alguns dizem, o seu país vai oferecer ao nosso.
Convenhamos, a Alemanha - essa poderosa motora da indústria europeia -, NÃO É NADA, sem a Europa que lhe compra os produtos que produz, lhe atenua os problemas sociais, e, até lhe paga a factura da ineficiência de várias décadas.
Não que o seu pais seja um pária internacional, que não é, apenas um MONSTRO em pouco espaço, e NÃO TEM – nunca teve – arte e engenho para se expandir sem ser pela brutalidade e pela estupidez.
Vossa Excelência pensa, como outros pensaram antes, que pode dominar a Europa com o predomínio da indústria alemã.
Pensará, até, que as Deustsch Industries são o maior remédio para os males da sociedade hodierna europeia.
Nada de mais errado, cara Senhora!
Aqui, neste pequeno torrão do sul de uma Europa, a que V. Mercê diz pertencer – talvez, até, julgar ter a importância dos Estados Unidos da América, e querer recuperar a dignidade dos Impérios Austro-Húngaros, ou ombrear com a grandeza da Coroa Inglesa -, continua e existir um povo, que não se ufana por ter dado novos mundos ao mundo; que isso é obrigação e qualquer povo que se mereça enquanto tal.
Apenas se orgulha de ver, hoje, como seguramente no futuro, os tributários do seu império, a aprender Português, por saberem que essa é a língua com que têm de lidar nos seus negócios, mas também por ser aquela que Camões, Garcia de Orta, Pedro Nunes, Amato Lusitano e Egas Moniz – quer o aio de D. Afonso, quer o médico –, assim como muitos outros, usaram para se afirmarem nas suas artes e dilatarem o nome da Pátria onde nasceram e ajudaram a construir. Ainda que, nalguns casos, a mesma lhes tenha sido madrasta !
A mesma língua que o Doutor Salazar usava, quando impediu que, após a última guerra, desencadeada pelo seu país, fôssemos uma “colónia” americana, ou uma reserva de escravos da Urss, como a sua RDA.
Dir-me-á, Vossa Senhoria, que tal nada tem a ver com este pedaço de terra Lusa, aninhado ao mar e encarcerado pelas várias Hespânias, mas antes com Angola, Moçambique, ou até mesmo o Brasil.
Pois que saiba Vossa Excelência, que o controverso politico Mário Soares, não acautelou, no momento da adesão à CEE, os direitos dos descendentes dos Portugueses, ONDE QUER QUE ELES ESTIVESSEM.
Imagine que os dirigentes da R. F. A. tinham feito o mesmo!
A esta hora, Vossa Excelência estaria a penar numa qualquer colónia de expiação dos burocratas do regime comunista !
Connosco não foi assim.
Soares e Cª - entenda, o seu antecessor Schmidt -, deitaram-nos “aos bichos”; “sacaram” – forma de um verbo que Soares usava quando se referia aos fundos comunitários – o que havia a disponível, endividaram-nos, e doaram aos portugueses, velhos, doentes, válidos e, imagine, até aos nascituros, a obrigação de pagar as suas mordomias, devaneios e entusiásticas fundações.
Mas, sabe, não somos calinos, mandriões, calaceiros, nem incompetentes. Temos é uma paciência cristã, que se esgota apenas no momento certo.
Creia que está perto !
Quando ?
No dia em que Passos Coelho , e/ou Paulo Portas, a recebam, nos Jerónimos, usando um carro de fabrico italiano, inglês, americano, ou, melhor ainda, brasileiro.
Aí, nesse dia, nesse preciso momento . . . ACABOU o EURO ! ! !
