Panteão
Nacional
Um destes dias, um amigo chegado questionava-me: - porque
é que ele não está no Panteão Nacional?
Explico melhor a situação.
Ambos, sentados na soleira da Igreja de Santa Cruz,
em Coimbra, reparávamos no Pavilhão azul e branco, hasteado mesmo defronte do
nosso olhar.
É que o mesmo, na sua singeleza, mau-grado a insídia
republicana, teima em lembrar aos incautos, que aí repousa, quer o fundador da
Pátria, quer o seu primogénito.
Não! De facto,
ainda não morreu - fisicamente pelo menos – o Dr. Soares, nem seu filho João.
Nem consta - ao
invés do que certos “fazedores de opinião” querem fazer crer -, que o primeiro tenha
sido pai de mais que dos respectivos filhos; nem se admite que ambos pudessem
ladear a Capela-mor da Igreja primeira, da primeira Capital do Reino de
Portugal.
A tal gente, nos não referíamos, e deles não
rezará a história, salvo nas páginas mais negras da Épica Lusitana!
O que tal estandarte manifesto, é o aviso público,
de que ali repousam os dois primeiros reis da mais estável e duradoura NAÇÃO
da Europa “et, pour cause”, do mundo ocidental!
Na verdade,
Discursávamos sobre o país, a situação trágica do
mesmo, e acerca daqueles que o, e nos, desgraçaram.
Claro que, de Soares a Sócrates, passando por
Guterres, Cavaco e “tutti quanti”, toda a “classe politiqueira”, ia
sendo “zurzida” pelos comentários destes dois descontentes.
Não por ambos não sermos privilegiados da chamada
função pública - dessa onde não se sabe quantos “chafurdam” em reformas e prebendas
milionárias, que davam para alimentar MUITOS POBRES, daqueles que sempre
sustentaram a sofreguidão fiscal –, mas por nos pensarmos pessoas de bem.
Honestamente, sempre entendemos que, mesmo
espoliados, os contribuintes privados, já terão ganho o Reino dos Céus,
Que este é de
certos “pardais”!
Pois
bem,
A conversa que tínhamos,
era sobre a possibilidade do DOUTOR SALAZAR - os seus despojos ou, sobretudo, a
sua memória -, vir a repousar em lugar que, segundo a nomenclatura do estado e
a opinião pública, seja condigno ao inestimável valor que, em vida, trouxe a
Portugal.
- Nos Jerónimos!
Tem mesmo de ser nos Jerónimos - dizia o Chico, enquanto esbracejava -, senão
ainda pensam que foi um vendedor de sangue aos hospitais.
- Tas
parvo? – Retorquia eu, enquanto procurava acender o cachimbo, apesar da chuva
miudinha que teimava em cobrir o Largo de Sansão.
Que é que
querias? Pô-lo ao lado de umas quantas cantadeiras, políticos e escritores/poetas
de “meia-desfeita”? Qualquer dia ainda lá os tens em Alegre cantoria!
O Camões deve estar a pensar em devolver a “tença”, para o libertarem de tal
suplício.
- Não sou burro,
oh pá. Mas tens razão. Lá em Lisboa não pode ser. Aquilo é terra de brutos.
Olha lá – vê-se mesmo que nasceu na minha terra
-,
então o António [Guterres], o Serrasqueiro, o Grilo, o …, olha …, o puto, o
Seguro, e até o Zé [Sócrates], não eram boas pessoas até saírem de Castelo
Branco? Alguns até iam à missa; à ROSEL, e mesmo ao “It´s”!
Aquilo da capital dá cabo de cada um!
Aqui mesmo é que
ele ficava bem. – Referia-se, o Chico, como bem se entende, à Igreja de Santa
Cruz.
- Se alguém aqui
merece estar, é ele. Mas, sabes, a memória dos homens é tão curta, quão longa
devia ser a obrigação de reconhecer o valor dos nossos MAIORES.
Um dia destes ainda vais ver um panteão na Coelha.
- O Coelho
espanhol, o das estradas? Aquele que bate na gente?
Não percebeu,
coitado, que me não referia ao “coelhone”, de má sina – a nossa
-, recentemente [re]aportado a terras lusas para apimentar o “funeral” do
Tó Zé. Apenas mencionava um “mausoléu”, sulista e elitista, que dizem
estar construído lá longe, onde a civilização se partilha com a barbárie dos
tráficos provenientes de África. Quero eu dizer, nas férteis terras para
a pior canalhice que alguma vez Portugal sofreu – o Algarve da
Socialite!
É que, sob o
diáfano manto da democracia, fazem-se quintas, para quem
nunca foi hortelão; estâncias para os que jamais foram hoteleiros;
vivendas para aqueles que deveriam residir no Linhó.
Triste Pátria, a minha, capturada por tal gente!!!
Se por momentos ignorasse meu
apelido, e esquecesse que houve Grandes Portugueses, cuja memória se perpétua
pelo significante do nome ou cognomino, proibiria que algum cristão tivesse
nome de bicho!
Mas, enfim, é loucura minha.
Voltemos ao que importa, e à conversa dos dois passantes que diletantemente
discursavam sobre o destino que a Pátria devia dar aos seus mais queridos.
- Não achas que devia vir para
aqui? - Insistia o Chico.
- Afinal o teu panteão não é em
Lisboa?
- Pensas que sou estúpido? Sou
Prof. – ele parece
que ensina qualquer coisa, física nuclear, ou algo semelhante, nas Ciências,
depois de ter “tirado” direito?!? -, mas não sou
totalmente burro. Aqui é que é o PANTEÃO NACIONAL!
- Tens razão. Se aqui é o Panteão,
o nosso mestre deve para cá vir. Os de Lisboa não têm de opinar. A Igreja é
nossa, ele estudou aqui, nestes claustros, foi o maior vulto do país nos
últimos séculos, vamos fazer-lhe um túmulo condigno e trazê-lo para cá.
- Hei, hei, os senhores aí, não
vêem que já é dia?
- Quê? Nenhum de nós tinha dado que
se fizera noite, quanto mais que o dia nascia!
Afinal era um sonho!
Bom, como os que nossas mães nos inspiram,
no primeiro embalo; Trágico como aquele que lhes damos, ao sair de casa.
As
escadas de Santa Cruz, já não existem; os estudantes já não lá cantam; e nós,
pobres veteranos de direito, apenas idealizávamos o que os Portugueses sonham:
honrar um Professor
(da nossa casa), um mestre da política, um verdadeiro Homem-de-Estado.
Seja.
Quando
acordar, evoco o Doutor Salazar para … ensinar o Gaspar !