O Chico!
“Pilha-galinhas”
Aqui há muitos anos, o “Chico” – moço sagaz e destemido
– dedicava-se a pequenos roubos, lá na aldeia.
Coisas de pequena monta, de tal sorte, que até lhe
chamavam o “pilha-galinhas”!
Pois não é que, certo dia, lhe “soou”, que andava um
Gnr, a fazer perguntas acerca do desaparecimento de um saco de cimento, na obra
do “Joaquim das Couves”, homem abastado e invejado, lá na terra.
Passou uma noite sem dormir.
Então não era que o cabo Jorge, já descobrira que fora
ele!
Não “pregou olho”, até o Sol nascer. Mas ouvir cantar o
galo, que o Joaquim tinha lá no quintal, descansou – tinha solução, para o
caso. E,
Dormiu, um sono repousado, até ao meio-dia. Nessa altura,
Levantou-se, fez a barba – o que já não era costume há
muito tempo -, vestiu o fatinho de ir namorar, e dirigiu-se ao Posto da Guarda.
- Está aí o Senhor cabo? Quero falar com ele, afirmou
de forma resoluta.
- Não, não está - respondeu o “praça” de serviço
-, foi patrulhar a feira.
Como se não soubesse ele, que era estavam a 24, dia da
feira da sede do concelho.
- Sendo assim, e porque não posso resolver isto de “homem-para-homem”,
QUERO APRESENTAR QUEIXA contra ele.
- Oh Chico, que é que ele te fez, não me digas que te
não pagou o ordenado, gracejou o militar de serviço.
- Anda “metido com a minha irmã”. Até a “emprenhou”. Já
que não lhe posso ir ao focinho, para defender a honra dela, apresento queixa.
Há por aí papéis para isso, não há?
Preenchido a participação, saiu vociferando: “mato os dois,
não quero ter um sobrinho “chui”! ainda hoje cá volto!
Preocupado com uma tragédia anunciada, o agente de serviço,
no Posto, comunicou ao Comando o sucedido, e fez seguir a queixa apresentada.
Seguiram-se os trâmites habituais.
Dois dias depois, o Chico dirigiu-se ao Posto para “tirar
desforço” do “cabo prevaricador”.
- Onde é que ele está? Se é homem, que apareça!
- Oh Chico, ele foi chamado ao Comando. Isto são crimes
graves. Aqui já não volta. E, se não “apanhar” cadeia, já vai bem. P`ra rua
vai, de certeza. Isto aqui é rigoroso!
- Cobarde! Fugiu quando lhe ia à cara. Que fique preso,
por muito tempo! Assim é que é!
Vociferando, lá se dirigiu à tasca do barbudo, para “afogar
as suas mágoas”.
- Que é que queres hoje?
- Um “Wisque”, dos grandes.
- Tens dinheiro para pagar?
- Pago amanhã. Chegou hoje uma camionete de cimento
para o “Quim das couves”. E o Cabo já foi embora, de vez!

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