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Adriano Ferreira Pinto







quinta-feira, janeiro 06, 2011

Ai Zé !

Ai Zé !

Segunda-feira de Ano Bom, sete e tal da noite, entra-me em casa, de supetão e esbaforida, a Maria José – Mizé, para os amigos.
- Oh Zé, tens de me valer. Estou “feita”.
- Eh-lá, menina, que é que aconteceu? Não me digas que apanhaste o Chico com a Amélia, a “tratar do expediente da empresa”, zombetei, enquanto a convidava a sentar-se, com a gentileza de um sargento surpreendido nos seus aposentos.
Devo esclarecer que o Francisco e a Amélia são, respectivamente, o marido da Mizé e a secretaria de ambos, na construtora que o casal herdou por morte do velho Joaquim da Fonte, por sua vez “padrinho” – como se apelidava quem tomava em estima, desvalido ou órfão – do Chico.
Mas convém dizer que a Amélia também é prima da Maria José, por via do casamento com o António do Monte, ele próprio afilhado do Joaquim.
Parece confuso, mas não é.
Antigamente, nas terras pequenas, todos eram de família, entre si. E quando o não eram por nascença, tornavam-se por casamento.
Ora, após o 25 de Abril, e com todas as divisões, cisões e rupturas políticas, que as familias naturais sofreram, houve que apelar aos laços, mais ou menos calculistas, que o baptismo, crisma ou até casamento, havia criado entre os parentes, ora “afastados”.
Mas se isto aqui trouxe, foi para que se pudesse entender o imbróglio que a Mizé me veio expor.
- Vê-lá, Zé Adriano – velha pecha da Maria quando se me dirige –, que sou acusada de burlona; - vociferou, enquanto juncava a mesa da sala de jantar com uma meia dúzia de papéis, tão amarfanhados quanto uma mulher irritada sabe amarrotar, emitidos pelo tribunal.
- Bonito! Sou uma vígara que enganou a família Monte. E mais, que por via disso defraudou o fisco. Tu já viste isto?
Eu, uma mulher séria, que sempre pagou aos empregados. Eu que nunca fiquei a dever nada à Previdência. Eu, que até às Finanças sempre paguei; e sabe Deus que o não devia.
- Vamos lá ver; o que é que se passa? Questionei, meio a brincar, meio a bancar o profissional.
- Ora, o que é que queres, cada vez que prestava um serviço aos “Montes”, eu apresentava a respectiva factura.
- Pelo valor real, claro! Exclamei, com a confessa certeza do pecador que ilude o absolvente.
- Pois, se o negócio era de cem, facturávamos cem mais o imposto.
- Mas isso é normal e legal. Onde é que está o “galho”, Mizé?
- Que raio, não percebeste? Se o negócio era de SEM, faaaacturávamos o imposto. Homem, já entendes?
- Mais ou menos, exclamei, com a indulgência de um irmão e a inquietude do profissional que pressentia ser quem ela mais queria ouvir.
- Será que não percebes? Era só a ganhar. E ninguém perdia, podes crer!
Confesso que não devo nada à inteligência, e por isso atrevi-me:
- Mas o que é que está mal?
-Ora, os “Montes” faliram. Quer dizer, a distribuidora dos azeites. Olha, que eu saiba ninguém fez nada de mal. Mas o David - genro do Guilherme do Monte, esclareço eu -, antes que a empresa fosse ao charco decidiu pagar-nos todas as dívidas.
- Mas eles deviam-vos muito?
Confesso que, por momentos, comecei a pensar que o X-3, em que o Chico anda, estivesse “com reserva de propriedade”, ou a vivenda do Ameal se encontrasse hipotecada, a benefício de um desses bancos, que agiotam o erário público.
- Qual quê, até pagaram aquelas férias no Brasil, quando a Tininha se casou!
- Mas então, qual é o problema? Quis saber, já meio agastado com a história de tantos “primos” no meio de tão “sacro” negócio.
- Ora, o M.P. “acha” que nós recebemos mais do que devíamos e que a empresa foi à falência por isso. SÃO ESTÚPIDOS !
Olha, os Pais, os Melros, os Ramos e os Pintos fizeram o mesmo. Até os Sousa das Ilhas receberam.
- Bem, minha querida, os crimes dos outros não justificam as nossas asneiras. Tu és economista, dás aulas no instituto, e não ignoras que não agiste bem. Mas o teu advogado já to deve ter dito, ou não?
- Pois disse!
Mas eu não quero advogado. Quero ouvir um amigo, que seja um conselheiro como um advogado, um confidente como um irmão, um parceiro como um marido. Só isso. Será pedir-te muito?
- Não, minha querida, mas deixaste passar o prazo.
- Quê? O Jerónimo não ligou aos prazos? Eu mato-o. Mas tu nem leste os papéis ! ?
- Não, minha linda, nada disso, tranquilizei-a:
JÁ NÃO VAIS A TEMPO DE TE CANDIDATAR À PRESIDÊNCIA !
Respondi, enquanto acendia um cigarro e ligava a tv, para ver os debates.

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