“In Memoriam”
por José Pinto a quinta-feira, 4 de Novembro de 2010 às 14:48
Tragicamente, ou talvez não, e no que respeita à maioria dos artigos de opinião que hoje se escrevem, os respectivos autores não dispensam referências à época em que viveram.
Curiosamente, num certo canal de televisão, há um conhecido “entertainer” que, de forma sublime, diga-se, faz quebrar a tensão dos concorrentes do respectivo programa, exclamando amiúde: já lá fui muito feliz !
Como é óbvio, o conceito de FELICIDADE depende, no espaço e no tempo, de quem a quer alcançar.
Assim como o do “ BELO” !
Já pensaram qual a definição de “belo” que dariam, se questionados pela directora de serviços da vossa empresa ?
E se uma tartamuda Senhora Juiz, esplendorosa albina, vos questionasse sobre o mesmo conceito, para avaliar a noção de um violador ao abordar a vítima que, e por mera hipótese, era uma loira Ucraniana capaz de fazer parelha com um príncipe inglês ?
Confesso que, relativamente a esta “estória” de definições, sou extremamente céptico.
Não esquecerei nunca uma aula de História, ministrada por uma professora, também de Filosofia – naquele tempo as pessoas conseguiam saber de ambas as Ciências ( agora ? ! ) – que nos questionou sobre o conceito de “belo”.
Citou Platão, imaginem! Logo para (re) questionar “se um cavalo era belo”. E “se uma mulher jovem era bela”?
Confesso que, passados trinta e muitos anos, não mudaria a resposta que a turma inteira “deu a Platão” !
Mas estou convicto, de que a resposta não seria a mesma, se a pergunta fosse feita por, qualquer fosse, um outro professor do mesmo Liceu.
É que um pedido de definição, formulado por quem é, “a se”, exemplo da personificação do definendo, nunca pode ter uma resposta isenta.
Todos os que pertencíamos à turma, nunca nos questionaríamos se uma mulher jovem era bela.
E tão só porque, sabendo que a professora era jovem, quasi das nossas idades, ... ... ... !
Vem isto a propósito das perguntas feitas, numa entrevista, pelo Primeiro-ministro, acerca da credibilidade do seu desempenho.
Basta olhar para o questionante, para adivinhar a resposta.
Em casos destes, recordo sempre a pergunta da Dr.ª ..., a ..., como nos referíamos à nossa “Pin-up” escolar.
Verdade que, nesse tempo, José Sócrates também era estudante, e num local que, mesmo sem A 23, não ficava muito longe de nós.
Mas não foi aluno da ..., senão não fazia as perguntas auto-justificativas que faz !
E sabem ?
Ela, já nesse tempo era militante, e minha correligionária no CDS !
Ele era e seria – talvez até à morte de Sá Carneiro -, do . . . PPD ! ! !
Talvez a diferença entre a eternidade do BELO, e o que brilha enquanto a luz lhe incide !

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