Gerado no alvor do governo de um bastardo, jurara fidelidade ao usurpante.
Claro que o pretenso príncipe, “candidato” ao trono – como se os tronos fossem plebiscitáveis – se havia rodeado de lacaios, ainda jovens, para que um dia o servissem na tarefa de se assenhorear do trono.
Abrevio a história, porque sendo o epílogo trágico, não merecem os figurantes muitas linhas da minha pena, e menos ainda a paciência de quem as ler.
Pois bem,
Quando já “reformado”, das diabruras que fizera enquanto postulante, o falso príncipe foi repescar o pajem antigo, para que o auxiliasse na missão de se tornar SOBERANO ABSOLUTO !
Sim, ele próprio, durante dez longos anos, havia suportado um monarca anterior, a quem, com a humildade dos pretendentes, tudo suportara.
Chegara a HORA !
Estava tudo preparado.
Mas o passado não perdoa !
E o verdadeiro Príncipe, a quem ele atraiçoara, quando tomara o poder como Primeiro-ministro, continuava vivo e PRONTO A DEFENDER O SEU POVO !
Que raio, então em lugar de apoiar os que sempre tinham estado ao seu lado, quer naqueles negócios perigosos da banca, quer naquelas coisas que ninguém tinha nada de saber, o “diabo do príncipe”, ainda mexia ?
SIM !
Ele próprio “engolira sapos vivos”.
Verdade que era um “manga-de-alpaca”, formado numa escola técnica.
Mas subira na vida.
Até já fora Senhor Professor da Universidade !
Então o Saramago, também não tinha começado como serralheiro . . .
Mais uma desfeita, que o verdadeiro príncipe lhe fizera.
Por causa da justeza com que aquele “safado” actuava, quando, “inadvertidamente”, o tinha albergado no seu governo, via-se agora impedido de aparecer na queima simbólica do mito.
Na verdade, não fora assim por descuido, que suportara o “rapaz” no governo.
É que sem ele, nunca lá chegava.
Mas, quando pôde, pô-lo a milhas – JÁ, então, TINHA O PAJEM !
Aliás,
Todos sabiam que, por causa do dito, se tivera de humilhar, curvando-se perante um simples presidente de câmara, que o espezinhara numa refrega eleitoral antiga.
A ele, o Príncipe Ministro !
Mas assim, ambos correram com o Príncipe.
Estava morto e enterrado !
E para que não surgissem dúvidas, encarregara uma Duquesa, moribunda e desacreditada, de lhe “passar a certidão de óbito”.
Mas o Príncipe teimava em “mexer”. Qual animal eterno, não havia meio de o sentenciar.
SIMPLES,
Chama-se o pajem. Afinal,
É tão estúpido como o mestre, vende alma pelo mesmo, ou até menor preço, e ficou agrilhoado pela Duquesa, quando o “botou de fora” da “gaiola dourada” !
Simples e perfeito. Mas,
Plano próprio dos incapazes !
À “primeira cavadela”, o pajem tomou-se de amor com o inimigo, vá-se-lá saber porquê ?
Reminiscências do percurso do mestre ? Talvez !
E logo quando ele tentara proibir o acasalamento entre homens !
Era demais !
Todos os dias perorava em favor do “moço-de-fretes”, mas nada. Asneira atrás de asneira.
Eis senão quando, o antigo Ministro - Mor do Príncipe, num arrebatado acto de lucidez e patriotismo, explica como e porquê, a Coroa deve mudar de mãos.
Pois,
Aí o Pajem vem a terreiro, e numa bravata toma o partido do inimigo.
Mostrou o que era – INCOMPETENTE !
E AGORA ?
Resta a socrática “cixcuta” !

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