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Adriano Ferreira Pinto







domingo, abril 18, 2010

O MILITAR

A GUERRA
José Carmo

Tudo vai bem à mesa enquanto a conversa a conversa divaga sobre os taninos do tinto. As trivialidades do tempo, ou a trivela de Quaresma.
Mas quando se descobre que sou militar, estalam certos vernizes e por vezes dou por mim na inopinada situação de alvo das tomatadas.
Alguns, mais liberais, olham-me como representante de um fenómeno residual a excluir do modelo do futuro. Com esses, as conversas são pacatas puxam cerveja. Os de tendência esquerdista, variante “caviar”, não escondem a hostilidade antimilitarista, rapidamente reconvertida em antimilitar e, tal como Rosa Luxemburg, olham-me como o representante do”instrumento de domínio sobre a classe operária”.
Alguns, excessivamente confiantes no estereótipo do militar “pá” – o Otelo encarrega-se quotidianamente de reforçar a imagem - carregam de guarda baixa, interpelando-me com enfadonhas jeremiadas sobre a guerra e a paz. Os bons e os maus, como se, ali atrás da garrafa de cerveja, tivessem apanhado Marte com as calças na mão.
A acusação mais comum é sobre a absoluta maldade da guerra, e por simpatia, a dos que a fazem ou estudam. No caso, eu, que estou ali à mão.
Eu, que sou boa pessoa, tenho gatos e cães, cedo passagem nos cruzamentos, desvio-me no passeio e levo crianças à escola, tenho de provar que não bebo napalm, não snifo pólvora, nem ando por aí de ar fachanhudo, progredindo tacticamente de árvore em árvore.
Alguns indignam-se como as beatas, quando lhes digo que a guerra não é apenas um mal absoluto “originado nas contradições económicas”, mas uma invenção humana, um instrumento para resolver conflitos.
E se opino que a descrição do homem está mais próxima de Maistre do que de Rousseau, o raro esquerdismo “caviar”, que compreende os conceitos subjacentes, berra “Blasfémia”, rasga as vestes e não só não me chama coisas desagradáveis porque o instinto de conservação é muito poderoso.
Mas a verdade, caro “caviar”, é que deste lado do espelho os conflitos existem mesmo, e têm de ser resolvidos, a guerra é tão só a última ratio, quando já não é possível escolher entre o mal e o bem, mas entre um mal e um mal menor.
É inevitável, está na nossa natureza “insociável”, como garantia Kant, e se percebe ao ver dois rapazes aos “tiros”, no recreio ou na Playstation.

2 comentários:

  1. Nota Prévia:
    Este texto, que se transcreve “data venia”, foi publicado na saudosa revista Atlântico, no número e série, referidos na citação.

    Dedico-o a um antepassado, de quem apenas guardo a memória de um relógio, que as autoridades de então fizeram chegar à família.
    Ele era um jovem oficial irreverente.
    Na época, segundo se contava na família, viajava de Lisboa para a “Beira” de comboio, mas não prescindia do cavalo, que um “impedido” lhe levava no dia seguinte.
    Foi morto pelos próprios homens, quando repelia uma revolta ... “revolucionária”, da Marinha.

    Não conheço o autor do texto.
    Mas aqui rendo a minha homenagem, à integridade de quem assume a condição de defender, mesmo quem não quer ser defendido.

    Só espero,
    Que a família e amigos, do autor José Carmo, não tenha de o recordar nunca, apenas por um Longinnes, mesmo que em ouro.
    Nós não merecemos !
    Portugal, infelizmente, Também Não !

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  2. Em tempo: porque algumas almas perdidas, me questionaram, quero esclarecer que o nome – pseudónimo, heterónimo, ou o que seja – de José do Carmo respeita a alguém real.
    Conheço a identidade – que não posso revelar, por razões deontológicas,
    O autor existe, mas por motivos – que ora não cabe saber - preferiu utilizar o heterónimo.
    Quem é?
    Alguém que, desafrontadamente, diz coisas que os outros têm receio!

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