Face Oculta
Ao jantar
Nove e tal da noite.
Estava a comer qualquer coisa, enquanto digeria os reveseses desta sexta-feira.
A Maria ( não sabem quem é; há tantas Marias nesta Terra, que, imaginem que é apenas e só, mais um produto da minha imaginação ), a Maria dizia, ficou muito amofinada por eu não gostar de ser postergado para o mundo dos desconhecidos, quando algum colega dela está por perto.
Faz-me sempre lembrar como é diferente da Maria Raposa. Uma pobre mulher, não que lhe faltasse fosse o que fosse em casa, que era “bem-posta”, por um sujeito da CP.
Ela que, em tempos, segundo se acertava, tinha sido uma bela mulher, era agora o rosto disforme da mãe de vinte e muitos filhos.
“Cada um de seu pai”, malévola afirmação das vizinhas, que não conseguiam cativar mais que a ira dos maridos. E, ainda assim, só “portas a dentro”, porque na rua eram-lhes tão estranhas como as pedras da calçada.
A Raposa, na verdade, não se importava que a vissem falar fosse com quem fosse.
Todos sabiam que não era por mal. Era mulher simples, do povo, como muitos gostam de se intitular, quando querem dizer que são diferentes dos que não entendem.
Na pior das hipóteses, estava a falar com o progenitor – porque epíteto de pai não merecia – de um dos seus “anjinhos”.
Mas pronto,
Essa foi a primeira grande “chatice” desta tarde.
Depois o trabalho.
Não há nada pior que a “iluminação de alguns”, para encontrar a “solução” dos nossos problemas.
Estava a imaginar que jantava.
Não digo com quem, porque pensar que jantava, já é sonhar estar com “alguém” que, de tão especial, dispensava o jantar.
Passo os olhos pela tv., enquanto observo a pasta de sardinha que vai barrando o pão, sem que eu disso me aperceba.
Uma novela,
Daquelas que não vejo, porque não tenho tempo para tudo. E esta trata de médicos e enfermeiros.
Não gosto !
Um dia, há muito, muito tempo, “roubei” uma namorada a um destes sujeitos.
Não foi façanha. Ela gostava de mim e não dele !
Mais tarde, um daqueles, ia-ma “roubando”.
Trágico.
Porque ela, não gostava dele!
O meu espanto.
Na “economia da peça” - quantas saudades de partilhar ao jantar esta expressão, de que nunca entendi o sentido, diga-se, – aparecia um pai que ia “devolver” antecipadamente, os filhos à respectiva mãe com quem aliás fora casado.
Confuso ?
Não sei.
Fui casado. Mas, nunca tive mosss filhos.
Pois bem,
Enquanto jantavam, a mãe foi sindicando – com a mestria de magistrada do M P, e confesso que não conheço a putativa profissão da personagem – os filhos, miúdos, acerca das actividades do pai enquanto estavam na sua companhia.
Para espanto, meu pelo menos, foi a filha quem peremptoriamente entendeu qua a mãe tinha ciúmes de uma jovem namorada do pai.
Claro que a progenitora, esquecendo que a idade lhe não pesava ainda, assumiu o papel da superioridade moral: “o vosso pai não ganha juízo”.
Já vi, e ouvi treinadores de futebol dizerem que o árbitro errou sem querer !
Mas não ver a realidade !
Meus caros botões,
Acho que só o sujeito que dá a cara pela agremiação do Sport Lisboa e Benfica, ainda não percebeu que o andam a enganar.
Mas isso é outra “estória” !
POIS BEM,
Enquanto abria o frigo, na busca de algo que me arrefecesse a cigarrilha que teima em me não largar os lábios, ouvi algo que me gelou:
Apagaram as escutas !
O quê ?
Já não há escutas ?
Então e os “ouvidores” ?
Que é que fizeram àqueles céleres “professores” do Norte, que em lugar de dar aulas, andavam a ouvir os desabafos dos colegas.
Tanta vez pensei, em Setembro passado, que se ao governo chegasse gente séria, seria altura de levar à Justiça essa escumalha, e bem assim quem os mandava.
A escumalha, não faço ideia onde esteja.
Por certo promovida a “ouvidores na corte”.
Que o cerco da verdade, quanto mais aperta, mais exige de lealdade por parte dos inúteis.
Esquecem, graças a Deus, que a inutilidade que revelaram ao longo do tempo, seja ao serem professores, desenhadores, arquitectos, agentes de engenharia ou, simplesmente pais – como na novela -, algum dia vai ser descoberta, mesmo que pela “filha mais nova”.
Entenda quem quiser !
Ainda não esqueci a Semana-Santa, que recentemente vivemos.
E não posso deixar de recordar quando, miúdo, e nos idos de Sessenta, de opa acompanhava a Procissão do Senhor dos Passos.
Ocorre-me que, por ironia, um partido, ao qual tantas vezes e, como muitos outros, ensinámos a sobreviver, tenha escolhido a Páscoa para elevar ao trono um líder.
Qual cordeiro ..., também ele é a face oculta do desígnio da História.
Aaaa Final !
Dizia a canção:
Hoje eu sou o Herói Principal.
Os Portugueses também vão dizer. Pena que tenham de pagar por isso.
Não cedo à tentação:
Há pessoas que, como José Sócrates, não entendem que só a par de virtudes públicas, podemos ter vícios privados – como fumar nos aviões ! ! !
Vou dormir.
Talvez encontre a face oculta . . . da Lua!
domingo, abril 18, 2010
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