O Grego !
Σωκράτης,
Aqui há dias, melhor, no passado fim-de-semana, fui dar uma volta pela cidade.
É que isto de ser divorciado, sem se querer, acarreta custos.
Já me disseram até que, para os casos em que os/as ditos cujos, não conseguiram superar o trauma da separação, há uma vaga na administração pública.
Fiquei espantado !
A “gente”, quando ouve falar de Administração Pública, pensa logo no Governo, e na chefia !
Que isso de contínuos, era no meu tempo de liceu, em Castelo Branco.
Agora, já não há
E eu, assim de homens sozinhos, à frente do Governo, lembro-me de poucos.
Aqueles que estudam Portugal, e que até me conheçam, porventura estarão a imaginar quem eu colocasse no primeiro lugar da lista !
Mas não !
Meus queridos amigos e confidentes,
SALAZAR, o Senhor Doutor Salazar, o Presidente do Conselho de Portugal, independentemente de ter sido um Homem que sempre viveu só,
Nunca esteve à frente do Governo de Portugal !
É a minha ideia, discutível, como qualquer outra.
Mas,
De facto insofismável,
Pôs sempre à sua frente Portugal “et, pour cause”, o respectivo Governo.
Hoje, deve ser tão difícil entender isto, como inimaginável era, vão lá uns escassos quarenta e tal anos, o país ter ao leme dos seus destinos quem tem.
Mas, voltemos ao meu passeio “dos tristes”.
Quem conheça Coimbra, e saiba que comprar tabaco na baixa, a desoras – salvo nos bares de hotéis -, só se pode fazer nos cafés junto à ESTAÇÃO NOVA, não estranha a possibilidade e autenticidade de encontros, como o que aqui relato.
Não passava das 22 e 30, seguramente.
No último degrau das escadas que, confesso, nunca tinha reparado, são o primeiro “exame” para quem chega a Coimbra, deparei com duas “estrangeiras” apavoradas com o que viam:
No Largo das Ameias, uma carrinha distribuía, como se desnecessária fosse a presença dos voluntários que diariamente a acompanham, a única refeição que uns quantos, sem questionar a eventualidade de ela não vir, a aguardam, discreta e religiosamente, cada noite que cai.
Bem,
Tenho de dizer que para lá da nossa língua, guardo uns resquícios de francês e tento “trautear” qualquer coisa de inglês.
Por isso, não era fácil o contacto.
Mas, sou português e beirão. Pelo que a hospitalidade, independentemente da língua, não podia ficar na gaveta.
Ora bem,
Se aqui trago esta “estória” é porque, uma dessas minhas duas amigas - que o vieram a ser -, era, nada mais nada menos, que neta de um português imigrado na Alemanha no inicio da década de sessenta, do século passado.
Confesso que fiquei tão aterrado com a ignorância que a Maria (imagine-se!) Stoofer tinha da língua dos avós, como do desconhecimento que revelava da terra, onde a mãe, vão muitos anos, viera nascer – Coimbra.
Já a tia que, ignorando a idade, a acompanhava de mochila às costas e cabelo empoupado, era uma alemã típica, pelo menos aos meus olhos. E revelava um certo ar de “Indiana Jones” à descoberta dos . . . “indígenas” que, pretendia, nós sermos.
Claro que,
Umas cervejas no ..., gentilmente aberto até mais tarde, substituíram o interprete indispensável à nossa conversa.
Porém,
A dado passo, a nossa luso-descendente, com a mesma naturalidade com que qualquer dos meus sobrinhos ignora quem é Angela Merkel, perguntou-me o nome do “nosso” primeiro.
Sócrates, respondi !
Por absurdo, ouvi e entendi, em bom português: o grego ?
Espantado, nem tive tempo de me soerguer, enquanto ambas se levantavam da mesa.
No entanto, reparei que,
Em gesto de despedida, apontando o braço direito para mim, com a mão espalmada, a tia
se despedia:
aufwiedersehen !
sexta-feira, maio 07, 2010
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